terça-feira, 6 de maio de 2008

Vende-se Justiça

Os pais infaticidas, o estuprador do parque, o torturador de idosos, o violentador incestuoso. O que eles tem em comum? São a válvula de escape para o impulso de Morte da Massa.
O povo vai às ruas clamando por Justiça. Cenas ridículas, em maior parte. Placas que podem ser traduzidas de qualquer língua para "Galvão, filma eu!". A Justiça é uma virtude, afinal de contas?
Digo que não. Justiça é a forma socialmente aceita de Vingança. A Vingança diz que você será ferido se fizer algo contra alguém. A Justiça diz que você será ferido se fizer algo contra qualquer um. Uma é abominada, a outra é louvada. Irmãs siamesas, uma faz parte da outra.
A Justiça leva a dois erros graves. Primeiro, ela supõe que aplicando uma determinada ação violenta contra o indivíduo, ele cessará sua violência. O segundo, e possivelmente pior erro, é supor que há um preço para tudo. Pague o preço, você está livre para fazer.
Ninguém em nosso país pode ser condenado a mais de trinta anos de prisão. Significa que você tem passe livre para matar, estuprar, roubar e, enfim, destruir quantas vidas quiser. Desde que passe trinta anos na cadeia. Passados, você está livre para fazer tudo novamente.
Pergunte para as vítimas violentadas ou parentes dos mortos se o dano sofrido tem preço. Para a Justiça, tem preço, e o mercado é relativamente estável.
Pratique latrocínio hoje mesmo e pague em três anos de reclusão! Estupre sua vizinha hoje e pague tudo em suaves prestações de quinze anos - com descontos especiais para garotos bem comportados!
Ah, o Bazar dos Tribunais...

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