sábado, 31 de maio de 2008

Eclipse Embriológico

No fim do século XIX, Bram Stoker escreveu o famoso (mas não tão lido) "Drácula". Nela, um homem vai contra as leis divinas, é amaldiçoado e deve sobreviver a partir da morte de outros seres humanos. Seria capaz de viver eternamente, enquanto ceifasse vidas alheias.
Tirando a parte emocional da história, a ciência promete tornar o Vampirismo uma realidade. Ao menos sob o enfoque da Igreja Católica, os elementos se repetem: o desrespeito ao divino; o fim do ciclo natural da vida e da morte; a sobrevivência com o sangue de inocentes (os embriões, diz o Vaticano).
As células-tronco embrionárias seriam a arma final contra as doenças degenerativas. Vencidas tais doenças, o que se colocaria entre o homem e a imortalidade? Um cérebro que nunca para, alimentado por um coração sempre pulsante, bombeando sangue com células de defesa perfeitas com as vacinas certas...
Irônico. A morte sempre foi algo sombrio nas relações humanas. Agora, ela é a verdadeira luz do sol que queima os mitológicos seres imortais...
De qualquer modo, não consigo imaginar que uma sociedade consiga viver sem a morte. Não haverá noite. Mas quem pode dizer quanto durará o eclipse?

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