Vamos pegar uma mesa de sinuca pronta para começar um jogo. Infelizmente para os viciados, eu estou interessado apenas na primeira tacada. As bolas vão se espalhas pela mesa. O movimento é aleatório? Pode depender de uma enorme quantidade de variáveis - a intensidade da tacada, a posição milimetricamente exata das bolas, e até a atração exercida por uma galáxia distante na mesa - mas não é aleatória. Se fosse possível reproduzir exatamente as mesmas variáveis, o resultado deveria ser exatamente o mesmo.
Tudo bem, e qual é o objetivo disso tudo? Vamos com calma.
Vamos retomar a idéia clássica do Big Bang: um pequeno ponto explodiu com força e a matéria conhecida hoje começou a se espalhar pelo universo. Tal como as bolas de bilhar. Se pudéssemos dar uma tacada na partícula primordial com a mesma intensidade de bilhões de anos atrás, o resultado deveria ser o mesmo.
Oras, daí para o surgimento dos planetas - em especial o nosso - é a soma das atrações e movimento de cada átomo do universo. Um meteoro poderia mudar a direção de um planeta e criar uma versão alternativa desse cenário? Alternativa, não; pois a rota desse meteoro foi determinada diretamente pela força da explosão inicial, e indiretamente pela disposição de planetas que aquela explosão causou. Não há espaço para forma alternativa. A posição varia conforme as forças em ação, e todas, invariavelmente, da tacada inicial.
Vamos adiantar o relógio do tempo. Contudo, precisamos introduzir um conceito de difícil aceitação, que não necessariamente é a verdade. Basicamente, os movimentos do ser humano são definidos pela movimentação de neurotransmissores e mediadores químicos. Esses, por sua vez, são resposta a estímulos de natureza, de um modo ou de outro, físicos, criados pela interação entre átomos - estes movimentados desde o início dos tempos pela explosão inicial. Como disse acima, tais átomos poderiam estar em outro lugar? Não; estão ali por movimentos causados pelas forças de atração da natureza, todas provenientes, mais uma vez, da tacada inicial.
Resuma o corpo a uma máquina eletroquímica (não se esqueçam, crianças, a química é filha bastarda da física), e ele se torna previsível. Tão previsível quanto saber em que ponto um planeta vai parar depois que a partícula primordial explodiu. Se você pode determinar onde estarão os estímulos e é capaz de prever as rotas de funcionamento de neurotransmissores - todos, é claro, matéria, movidos pelas forças de atração e repulsão da natureza - você pode prever o resultado final dessa máquina. O movimento de uma perna poderia ser descrito tal como os meteorologistas sabem se vai chover ou fazer sol.
Claro que ainda estamos longe de ter um computador capaz de calcular esse número quase infinito de variáveis. Felizmente, o experimento mental ainda é uma ótima ferramenta. Aperte o "reset" do universo e aplique exatamente a mesma força na mesma partícula primordial: os resultados vão ser essencialmente os mesmos. Tal como as bolas na mesa de sinuca.
A própria ciência pressupõe isso. Realize um experimento nas mesmas condições e você deve obter os mesmos resultados. A única variável é como a explosão ocorreu - o resto é consequência. Até nós.
Destino: posição da matéria em algum momento após agora, determinável pela soma de todas as forças físicas que agem no universo.
PS: Pode parecer repetitivo, mas a ênfase é: tudo, dos choques entre átomos de dois gases até o sistema nervoso enviar adrenalina para o corpo é Matéria. Matéria se desloca conforme Forças Fundamentais. E a posição da matéria ao mesmo tempo define futuramente para onde essas forças estarão apontando - é cíclico e previsível.
PS2: Eu sei que desconsiderei completamente os conceitos de Psicológico, Alma e Espírito. Se estes existem, eles não sofrem (acredito eu) ação de forças magnéticas ou gravitacionais. Logo, são aquilo que a ciência teme: imprevisíveis. E nossa única fuga do Destino.
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Um comentário:
Nossa,adorei o post xd! como smepre voce tem umas ideias muito boas !xD
=)
A ideia de destino realmente é demais !=)
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