quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Psicoteca: Estrada da Noite

Vamos tentar um modelo novo descaradamente copiado de um blog vizinho. Quem sabe funciona? "Nada se cria, tudo se copia".



A "Estrada da Noite" (Heart-Shaped Box, em inglês) é o primeiro romance de Joe Hill, filho do famoso escritor de terror Stephen King. Ao abrirmos o livro e nos deparamos com a dedicatória de Joseph para seu pai ("Para o meu pai, um dos bons"), nos preparamos para cerca de três centenas de páginas de terror.
Não é bem assim, no fim das contas.
Essa impressão se mantem até mais ou menos as cem primeiras páginas. O vilão fantasmagórico não poupa esforços para tornar a vida do personagem principal um inferno - lugar para onde pretende arrastá-lo em seguida. Para aqueles que não são grandes fãs do horror, sugiro que se segurem mais um pouco.
Não poderíamos esperar que o protagonista do livro ficasse "apanhando" o tempo todo. Os próximos dois terços do livro dedicam-se a contar a reação do personagem frente a ameaça. E parecemos mergulhar em outro livro, apenas levando os persoangens conosco.
Não posso dizer que essa transição seja ruim. Os truques do além iriam se esgotar, eventualmente. Joe Hill, após massacrar bastante a estrela do livro, elabora um contra-ataque a altura, exatamente como esperaríamos pela descrição dessa personagem. E melhor, aproveita a empreitada para aprofundar os personagens e definir melhor seus contornos e relacionamentos com aqueles que os cercam.
O melhor, sem sombra de dúvida, é o trabalho feito com o vilão. De início, certamente pularíamos de nossas camas se o víssemos; após o trabalho feito nessa segunda fase do livro, pularíamos em seu pescoço. Joe Hill consegue construir um ser que ao mesmo tempo causa repulsa e grande ódio, enquanto nos vermos torcendo pelos protagonistas em batalhas cheias de simbolismo.
Em uma espécie de "Terror Psicológico", Joseph chega a construir dois vilões: um universal, para o leitor, que todos gostaríamos de estrangular; e outro, feito para seu protagonista, baseado em suas vivências e emoções particulares. De modo sem igual, ele ensina que, às vezes, tememos justamente aquilo que mais conhecemos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Politicão

Ok, não posto desde o ano passado. E provavelmente qualquer pobre alma que tentava acompanhar esse blog já foi embora faz tempo. Um dos colaboradores, por exemplo (o único, para falar a verdade).
Mas estamos aqui - mais ou menos, realmente - então vamos aos comentários da noite. Noite, propício para falar de um assunto bem sombrio, política. Tirem as crianças da sala.

Então o Ilustríssimo Senador Jarbas Vasconcelos, em um grande momento de insight, anunciou que há corruptos no PMDB. Do alto escalão. Resolve não citar nomes, esse mero detalhe que são os nomes - o último homem-bomba que fez isso explodiu quase sozinho.
Teria descoberto, após quase vinte e quatro anos de política dentro de seu partido, que eles não tem uma bandeira política. Perspicaz, não?
Não vou tentar redigir alguma piadinha ou comentário ácido em relação ao Senador Jarbas ou seu partido. É como fazer piadas de um palhaço. Nem precisa dizer que o mesmo é válido para o contribuinte e eleitor brasileiro.
Bem, vamos abaixar o nível então. Eleições 2010, pois falar de política sem eleição não tem graça. Não vou perder meu tempo analisando uma série de candidatos que convergem nos principais pontos; apenas farei uma observação sobre um dos planos mais medonhos da política brasileira contemporânea. Cogita-se lançar Aécio Neves para Presidência, se ele trocar de partido para o PMDB. Um tucano lançado pela grande massa amorfa do PMDB, com apoio do governo petista de Lula? Ainda com uma troca de partido às vésperas das eleições? Nós não merecemos tanto, ilustríssimos senhores.
Não merecemos.

Em Tempo: Sabe aquele insight de Jarbas? É epidêmico. Hoje o senhor Orestes Quércia, do PMDB, resolveu dar sua opinião também. Mas adicionou um detalhe: a culpa seria do sistema político, que corrompe os políticos! Quércia é o Rosseau brasileiro, senhores.